Corpo perfeito, seios fartos, olhos emoldurados
por uma pinta charmosa. Dita Von Teese é a
personificação do imaginário erótico masculino.
Tudo isso foi criado, esculpido no próprio corpo
pela pequena Heather Reneé Sweet. Silicone nos seios,
pinta tatuada, cabelo pintado, cinturinha de 58 centímetros
espremidos com espartilho até inacreditáveis, e inesquecíveis, 40
centímetros.
Fabricada? Quem se importa. "É tudo estético. Crescer no
Michigan, que não é um lugar muito glamuroso, ter cabelo louro,
tudo isso me fazia sentir comum e tive a ideia de virar o oposto
disso. Adotei a imagem de 'Femme Fatale', uma imagem
poderosa", afirma a stripper, Dita Von
Teese.
E cara. Um strip de apenas sete minutos custa o equivalente a
R$ 130 mil, R$ 300 por segundo do
que você está vendo. Só que ao vivo. "Quando a cortina se abre, tudo o que se vê é criação
minha. São minhas fantasias criando vida, minha interpretação do
clássico burlesco americano".
Tradução: um espetáculo em que o striptease e a nudez são o clímax.
A alta sociedade americana se divertia com o burlesco nas décadas
de 30, 40 e 50. Dita Von Teese resgatou o
estilo.
Começou na década de 90, numa boate de strip, como milhares de
garotas, mas ela não era igual às outras. "Todas bronzeadas, de
biquine, e eu sempre tive uma atitude que me fazia diferente de
todas as outras. Isso faz o meu sucesso. Eu não entro num lugar e
tento ser como os outros. Eu vi ali uma grande oportunidade e
funcionou", conta.
Dita Von Teese é perfeccionista, linda, desejada e
- acreditem - tímida. Pelo menos foi isso que ela disse quando pedi
para me mostrar um pouquinho do show. "Eu fico muito tímida
quando as luzes não estão ligadas, sabe? Preciso da música, das
luzes, das plumas, dos cristais. Agora estou me sentindo apenas
como uma garotinha normal, sentada na cadeira, falando sobre a
minha vida estranha e chocada que você esteja
interessado".
Eu estava muito interessado, mas não disse nada. -
Fonte: Jornal da Globo (27/10/2009)
Tomando um chá com bolachas, sentado na cama,
como nenhum de vocês jamais me verá: cansado, doente e assistindo
TV para distrair a angústia. Nada de bom passando em nenhum canal,
nada de interessante e nenhum animo em meus músculos,
nada. Ri e pensei: "será que morrer é assim?". Foi quando
uma chamada para uma reportagem apelativa da TV Globo me
chamou a atenção, em imagens, sons, gemidos
e sussurros, era Dita Von
Teese.
Sim, Dita, aquela que eu cobiço desde a flor
da idade, quando invejava o seu casamento com
o artista Marilyn Manson, quando me
dissolvia em carne e essência, com suas fotos, vídeos e
qualquer coisa que a representasse. A atriz, a diva, a modelo,
a pin up, a rainha do burlesco, a mulher que, através de
alguma destas formas, vive no imaginário masculino.
Curiosamente me senti melhor, se fosse
médico, receitaria imagens, sons e palavras estimulantes para
meus pacientes terminais. Seria como:
"Diiiiii...taaaaaa...Diiii...taaaaaaaa" ressoando nos
quartos, para os homens doentes, pelos corredores dos
hospitais, no sorriso das enfermeiras, sem exageros, por toda a
parte. Seria o meu país das maravilhas.
Doentio? Eu não. Talvez insano, porque, mesmo
sendo a Dita Von Teese, era um absurdo! O
preço era revoltante e, o pior, o show era reservado e em
única apresentação (em 28/10). Mas o que eu poderia fazer? As
coisas eram assim, virei para o lado e tentei dormir. E
achei que era mais
barato sonhar.
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